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T U I U I Ú

 

INFORMATIVO  DO  RITO  BRASILEIRO

DE  MAÇONS  ANTIGOS,  LIVRES  E  ACEITOS

DO  ESTADO  DE  MATO  GROSSO  DO  SUL

 

 

2012 - 20º  Ano  de  Implantação  do  Rito Brasileiro  em  MS

 

 

Editor  Responsável:  M\I\ - Willian  Felicio  da  Mota - 33º

e-mail www.ritobrasileiroms@gmail.com

 

 

 

EDISON  GIANOTTI

 

M\I\ - Willian  Felicio  da  Mota - 33º

 

 No dia 11 de Maio p.p, partiu para o oriente eterno, nosso saudoso Irmão Edison Gianotti. Toda sua vida maçônica, foi construída na Benfeitora Loja “Edificadores de Templos”, iniciou no dia 30 de Outubro de 1982, elevou ao grau de Companheiro em 27 de Maio de 1983, exaltou ao grau de Mestre em 09 de Dezembro de 1983, foi instalado no dia 08 de Junho de 1987, recebeu o grau 33 no Rito Escocês Antigo e Aceito em 30 de Novembro de 1991 e em 1992, seu grau 33, foi reconhecido pelo Rito Brasileiro de Maçons Antigos, Livres e Aceitos.

O Supremo Arquiteto do Universo o chamou, mais deixou suas sementes, foram 51 anos de casamento com a cunhada Maria Gloria Miranda Gianotti, casou no dia 12 de Janeiro de 1961, dai resultou sua prole: as sobrinhas, Virginia Miranda Gianotti Wrobel nascida em 27 de Janeiro de 1966 e Claudia Miranda Gianotti nascida em 10 de Outubro de 1969; sobrinho Claudio Miranda Gianotti nascido em 20 de Outubro de 1961 e o neto Henrique Miranda Gianotti Verão nascido em 13 de Fevereiro de 2002.

Dizemos que o brasileiro não tem memória, no meio maçônico também, mas há as exceções, e os Irmãos que escrevem esta edição, tem memória, não vamos deixar que o nome do Eminente Irmão Edison Giannotti cai no esquecimento.

Esse esquecimento confirmou-se tanto na sua Loja mãe, como pelo Grande Oriente do Estado e principalmente pelo nosso Perene Rito Brasileiro de Maçons Antigos, Livres e Aceitos. Nenhum Corpo Filosófico e nem a Delegacia Litúrgica prestou homenagem ao Irmão Gianotti. Tanto o GOB/MS como o Rito Brasileiro do nosso Estado, deve e muito ao Irmão Edison Gianotti.

Falarmos tudo sobre esse valoroso Irmão daria para escrever um livro, principalmente este escrevinhador, que teve uma convivência permanente com o Irmão Gia, não só em sessões maçônicas, mais no dia a dia, sinto uma saudade muito grande. Não vou relatar neste texto toda a minha convivência com o Irmão Gia, mais num futuro próximo, farei em um livro.

Os escritos abaixo são de Irmãos que conviveram com o Irmão Gia, todos eles foram iniciados, elevados, exaltados e Instalados na Benfeitora Loja “Edificadores de Templos”, como fora o Irmão Gia, e todos são grau 33 “Eminentes Servidores da Ordem, da Pátria e da Humanidade” do Rito Brasileiro, esses Irmãos são: João de Deus Lugo, Mario Cardoso Miquilno e Antonio Fernandes Teixeira. Finalizando esta edição, texto escrito pela Cunhada Maria Gloria Miranda Gianotti.

           

M\I\ - João de Deus Lugo - 33º

 

HOMENAGEM AO MESTRE ELEITO

Há pessoas que desperta atenção pela sua forma de ser: fala alto, entra em qualquer conversa, intromete-se em tudo, dá sugestões mesmo que seja errada, não importa a forma, apenas querem que sejam notados. E há aqueles, que é discreto, observador, embora saiba perfeitamente o ponto crucial deste ou daquele problema, sempre tem na ponta da língua a solução, no entanto, pela humildade que é própria de sua personalidade, todavia, tem dificuldade em expressar o seu ponto de vista, tão somente pelo receio de ser duro com seu Irmão, buscando outros meios que acredita ser menos embaraçoso para seu semelhante.

Assim era o Mestre Edison Gianotti, homem simples, honrado, Maçom exemplar e de reconhecido valor. Alcançou o mais alto grau na escala Maçônica, exerceu cargos importantes na Loja e no Grão Mestrado. Ultimamente vinha exercendo a função de Mestre de Harmonia, vindo a sofrer um forte abalo em sua saúde, afastando-se, assim, do nosso convívio maçônico, repentinamente a harmonia se tornou triste, pois o Mestre guardou a sua batuta e os filhos perderam a voz, sua ausência é de um profundo silêncio.

O Irmão Edison Gianotti sempre se propunha a fazer de nossa Loja um exemplo. Talvez não tenha conseguido, no entanto, deixou o seu legado de Maçom exemplar, de pessoa humilde, aparentemente frágil, mas de decisões firmes e seguras. Era incansável, estava sempre pronto e com idéias novas, gostava de expor e apresentar novas metas de trabalho e quando o fazia seus olhos brilhavam de entusiasmo, como se já estivessem sendo executados.

O Irmão Edison Gianotti sempre agiu com a expressão da Lei Divina e do Perfeito Equilíbrio, talento multímodo, leitor voraz, observador atento da realidade brasileira, dotado de aguçado senso crítico, no entanto, nunca deixou de ser homem simples, plenamente identificado com os irmãos de sua Loja. Em seu coração era um Irmão despojado de ambição, ignorância ou fanatismo, era substituído pela sabedoria, tolerância e altruísmo.     Fazia o bem sem olhar a quem, buscava sempre a paz e a concórdia entre os irmãos.

Com palavras suaves cativava a todos os irmãos e dessa forma conduziu até seus últimos dias a Loja Maçônica Edificadores de Templos. Ficará para todo o sempre nos anais da história da Maçonaria a sua dedicação e de exemplo de Maçom. Pai extremoso, esposo fiel e dedicado.

Assim era Edison Gianotti Mestre Maçom ardoroso, Mestre Eleito que na sua passagem deixou tudo JUSTO E PERFEITO.

 

M\I\ - Mario Cardoso Miquilino - 33º

Eminente Irmão Edison Gianotti Iniciado em nossa ordem em 30 de Outubro de 1982; Mestre Instalado e Grau 33 - Servidor da Ordem, da Pátria e da Humanidade, do Rito Brasileiro de Maçons Antigo, Livres e Aceitos; membro da Augusta e Respeitável Loja Simbólica Edificadores de Templos Nº 2013, Benfeitora da Ordem.

A qualidade mais eminente da alma do homem é, sem dúvida, a "sabedoria". Essa sabedoria é filha do conhecimento e da experiência. Porém, é a nossa "conduta verdadeira" e não nossa "crença aparente" que nos identifica e aproxima dos Irmãos, e o maçom, quando produz alguma coisa, não seu proveito egoísta, mas sim, para o mundo, isso nos aproxima também de Deus.

Quando assim age, esse maçom torna-se um representante e embaixador do Supremo Arquiteto do Universo. Quando assim age, concentra toda a sua energia no cumprimento do dever. E, o homem, torna-se culto, a partir da cultura dos outros, mas somente torna-se sábio pela própria experiência estas palavras iniciais são exatamente para testemunhar, definir e qualificar o Eminente Irmão Edison Gianotti, que foi um verdadeiro maçom, um sábio com a sua conduta verdadeira, um representante e embaixador do Arquiteto dos Mundos na Maçonaria Sul-mato-grossense. Humilde e simples, justo, sempre enérgico em seus posicionamentos e no cumprimento do dever; mas prudente e pontual e suas opiniões e atitudes.

Um maçom que muito contribuiu com o crescimento da maçonaria no GOB-MS, notadamente por quem teve o privilégio de conhecer e conviver com o tão digno Irmão.

A Loja Edificadores de Templos; o Grande Oriente do Brasil de Mato Grosso do Sul e, o Rito brasileiro devem muito ao Irmão Gia (como era chamado carinhosamente por seus irmãos) por tudo que produziu pela Ordem; senão vejamos:

Como membro do Quadro de Obreiros da Loja Edificadores de Templos, como um dos responsáveis que foi em trazer o Rito brasileiro para Mato Grosso do Sul, Gianotti participou ativamente na implantação do Rito, sendo um dos fundadores. Auxiliando muito na criação e organização da Delegacia Litúrgica, como grande estudioso que sempre foi e, principalmente, sempre dedicado naquilo que se propunha a fazer. Com isso, o templo e as instalações da Edificadores de Templos desde a implantação do rito e ate os dias atuais tornou-se uma “Universidade Maçônica do Rito Brasileiro" em nosso Estado, tendo em vista que o maçom vai do primeiro grau ao grau trinta e três do Rito Brasileiro.

O Irmão Gia foi durante anos o "braço direito" do Delegado Litúrgico e, sua obra maior foi a criação dos Altos Corpos Filosóficos. Era o “faz tudo" da Delegacia, responsável por toda a parte administrativa. A grande maioria do material litúrgico dos Corpos Filosóficos tem a participação deste irmão na sua confecção.

Sem exagero, sem medo de errar, não fosse o Irmão Gianotti, naquela época, muito provavelmente os Corpos Filosóficos do Rito Brasileiro teriam muita dificuldade para funcionar.

Meus irmãos, dizem as religiões antigas que, o homem ao nascer, já tem o seu destino marcado, podendo melhorar ou piorar segundo a sua vontade, já que o Supremo Arquiteto do Universo deu-lhe o livre arbítrio.

No cosmos, tudo obedece leis inflequixiveis: a gravitação dos astros, as estações climáticas, as formas de vida- animal, vegetal e mineral; porém, para que as Luzes da Sabedoria, da Força e da Beleza manifeste-se em nós e sermos dignos Delas, a alma do maçom deve ser como um espelho, onde se refletem suas atitudes, comportamentos, decisões.

O Irmão Gia foi um predestinado e iluminado por Deus para trabalhar pela Maçonaria, sua alma um espelho de exemplo a ser seguido. Despojado de vaidades, tornou-se forte pela repetição de suas atitudes, por suas pequenas mais importantíssimas vitorias e também por seus sacrifícios reiterados.

Eu e muitos outros Irmãos, como já dissemos fomos privilegiados em desfrutarmos do seu convívio, do seu exemplo, da sua firmeza e determinação. Você Irmão Gianotti com certeza deixou "sua marca" na Maçonaria Sul-mato-grossense e, assim, será lembrado. E muito obrigado.

 

M\I\ - Antonio Fernandes Teixeira - 33º

A instituição maçônica, na sua origem especulativa, essencialmente burguesa/mercantil, conforme define tão bem, nosso irmão Maçom e anarquista, BAKUNIN, Mikhail Alexandrovich (1814-1876).

Embora exclusiva, dependendo das conveniências, em determinados períodos admite esse ou aquele elemento de determinado seguimento da sociedade. No Brasil após o golpe civil/militar, de 1964, a Maçonaria brasileira determinou a admissão do Praça-de-pré, de 3º Sgt. em diante, e oficiais subalterno estabilizados, conseqüentemente os civis de estatus e condições medianas também tiveram acesso. Para se ter uma idéia como amostra do todo, em Campo Grande haviam três Templos: na rua Calógeras, na rua Independência e na rua José Antonio. Os Maçons da Grande Loja nos chamavam de primos, e os Irmãos do Grande Oriente independente eram denominados irregulares. Quanto ao Grande Oriente do Brasil não havia templos para os poucos membros reunirem-se. Foi nesta ocasião que ingressei na sublime Ordem (GOB), pela Loja Edificadores de Templos nº2013 cujas reuniões eram feitas improvisadamente, no entanto, ao invés de desanimar serviu de estímulo para realizarmos um trabalho de crescimento e progresso, fundando mais lojas e iniciando irmãos em grande quantidade, cujas taxas eram simbólicas, e o sentimento estamental da maioria, por incrível que possa parecer, nos motivou a um trabalho produtivo (quem era oficial subalterno sabia que chegaria a coronel, quem era praça-de-pré sabia que até o fim da carreira chegaria a subtenente, a carreira estava definida, e os pequenos comerciantes tinham a esperança que iriam enriquecer.

Nesse período vi Maçons Generais chegarem a Presidência da República, vi Grão Mestre chegar a Senador Biônico e vi a Maçonaria crescer em densidade demográfica e patrimonialmente e tive a felicidade de ingressar numa Loja cujos irmãos eram verdadeiramente fraternos.

Transformamos em pouco tempo uma pequena Loja (inexpressiva) na maior e influente loja do GOB no Estado de Mato Grosso, hoje Mato Grosso do Sul. Tive a grata satisfação de conhecer uma plêiade de valorosos irmãos, uma constelação, e entre tantos um irmão, que brilhava sem ofuscar, de nome Edison Gianotti, 2º Sgt. da Aeronáutica, posteriormente na reserva com o posto de sub-tenente, o qual acompanhei da iniciação em 1982 à investidura em 1991 – como V.’. M.’. por duas vezes tive no Gianotti um colaborador de tempo integral e colaborei consigo quando o mesmo foi V.’. M.’. em 1987.

O Templo edificado à rua Ibirapuera nº 83 não foi produzido por mágica, mas, resultado de uma vontade coletiva, que creio existirem, hoje, poucos remanescentes. Tudo girava em torno da construção. Se íamos num restaurante rateávamos entre os irmãos valor superior ao que era cobrado cuja diferença era entregue ao tesoureiro pró-construção, nas reuniões nossas esposas faziam pastéis e espetinhos para pró-construção, fazíamos promoções mensais na SSCH. Para 300 a 400 pessoas, anualmente alugávamos um restaurante na Exposição Agropecuária, quando então largava meus afazeres profissionais, (negligência que hoje não cometeria) e me entregava de corpo e alma aos trabalhos do restaurante, coisa que sempre detestei, que é cozinhar e lavar pratos e panelas, pela Loja fazia prazerosamente, até quibe cru fazia. E o Edison Gianotti? Também, dia e noite, até o final da exposição, e os outros irmãos? todos, indistintamente, na medida do seu tempo, trabalhavam tanto quanto nós, e se tivéssemos tido o cuidado de filmar as atividades, os irmãos iriam ver o irmão Adib Massad, bem como outros irmãos, servindo mesa como se garçons fossem.

Nenhum de nós conhecia a teoria de PICHON-RIVIÈRE (1988), sobre os agrupamentos humanos: toda comunidade têm o líder, o porta-voz=colaborador, o bode expiatório e o sabotador – o bode expiatório deve ser orientado, instruído, e o sabotador deve ser eliminado, excluído, (pois não tem conserto), como a maioria absoluta era de colaboradores, mas nenhum era santo, alguns sabotadores foram eliminados, regularmente.

Quando comuniquei aos irmãos a intenção de estruturar o Rito Brasileiro no Estado, muitos não gostaram da idéia, inclusive o irmão Gianotti. O Venerável, da época, classificou o movimento de motim, e sem querer estimulou muitíssimo a decisão dos irmãos que estavam indecisos, e mais uma vez prevaleceu o espírito coletivo que possibilitou a estruturação de uma Potência dentro da Potência, com a adesão de três Lojas Justiça e Perseverança, Loja Edificadores de Templos e Loja de Emulação. Tínhamos a intenção de continuar no REAA, mas a xenofobia e sectarismo fundamentalista de alguns escocistas nos impediu. Teve até um idiota, (Gr. 33), que queria impedir que usássemos nossos paramentos nas sessões conjuntas do Grande Oriente, pois, na sua (“sábia”) opinião, só os paramentos do escocês eram os corretos.

Formamos todos os Corpos filosóficos do Rito Brasileiro com número mais do que satisfatório, pois o Excelso Alto Colégio começou com uma minuta de 17 Grandes Inspetores Gerais (Gr. XXXIII), cabendo a Presidência, se não me falha à memória, à Loja Complementar e Sublime Capítulo Rosa Cruz ao Saudoso irmão Edison Gianotti. Quando solicitei meus quites-placet das Lojas Edificadores e Emulação recomendei ao Grande Primaz o irmão Gianotti para me substituir como Delegado Litúrgico, o qual foi de pronto aceito, no entanto por excesso de humildade declinou em favor do saudoso irmão Carlos Alberto Dias Barreira.

Se a xenofobia não fosse uma característica da maioria dos maçons, até hoje, com certeza eu teria como gostaria uma afinidade repleta de respeito mútuo e convivência fraterna com os irmãos remanescentes e com os irmãos atuais, cuja saudosista lembrança, provavelmente, nem se quer lhes interessa.

Meu querido irmão Edison Gianotti, fostes na frente, e se lá do outro lado não houver currais separando os maçons denominados regulares dos denominados irregulares. Se o mérito prevalecer sobre os preconceitos vulgares, provavelmente nos encontraremos, quando minha hora chegar.

Saudações, meu irmão Gianotti. Meu fraternal abraço, meu irmão Gianotti. Me aguarde, no devido tempo, meu irmão Gianotti.

Que o GADU nos ilumine e guarde.

 

Cunhada Maria Gloria Miranda Gianotti

Edison Gianotti, eis o grande homem da minha vida, aquele que já não está mais comigo. que seguiu o caminho das flores, onde o sol brilha todos os dias, onde a natureza é perfeita onde eu não posso matar minha saudade. O homem que me amou intensamente e que eu amei da mesma forma.

Fez o que pode em meu benefício e dos filhos. Um coração que já não bate mais, mas que levou muito de nossas vidas.

E que hoje ocupa um lugar especial e temos a certeza de que um dia nos encontraremos novamente. Por enquanto, vou sufocando sua falta, mas graças a Deus, por ter tido a oportunidade de ter convivido com esse grande homem, marido, companheiro e pai dedicado. Momentos inesquecíveis guardados em nossos corações. Que Deus possa acolher essa alma generosa! Glória e filhos.

 

 

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